Chesterton e o empoderamento do lunático

Chesterton e o empoderamento do lunático

“A emancipação moderna tem sido, na verdade, uma nova perseguição ao Homem Comum. Se emancipou alguém, emancipou antes o Homem Incomum” – (“The Common Man”, artigo a ser publicado em O Essencial de Chesterton)

As críticas ao mundo moderno aparecem do início ao fim da obra de Chesterton. O livro Hereges, primeira polêmica a lhe valer certa fama, é uma crítica aos principais advogados de ideologias modernas do seu tempo. Em O que há de errado com o mundo descasca o feminismo (“a estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem a patrões”), o imperialismo e a educação moderna. E mesmo sua ficção está cheia desses elementos.

Especialmente em A Taberna Ambulante Chesterton deixa claro o que ele considerava o grande conflito da modernidade.

Lorde Ivywood, a encarnação do que há de errado com o mundo, burocrata chefe do parlamento, modernista, agnóstico e vegetariano, coloca uma lei que impede os donos de taberna abrirem estabelecimentos sem pagar uma pesada taxa (medida para agradar a uma minoria islâmica, visando apoio político). Os heróis são dois perfeitos tipos do homem comum inglês da época de Chesterton: Pump, o taberneiro inglês e Patrick, o soldado irlandês.

E aí está o problema moderno para Chesterton: a modernidade deu poderes aos Ivywoods e perseguiu os Pumps e Patricks:

“Eis o que quer dizer a emancipação moderna: que qualquer um com dinheiro no bolso poderá publicar um jornal. Mas o Homem Comum não haveria de querer publicar um jornal, mesmo se tivesse dinheiro no bolso. Antes, preferiria falar sobre política num bar ou no salão de uma estalagem. E aí está, precisamente, o tipo de conversa genuinamente popular sobre política que os movimentos modernos têm amiúde abolido: as antigas democracias ao proibir o bar, as novas ditaduras ao proibir a política”.

O liberalismo deu poder sem limites a ricaços materialistas – e, principalmente na Inglaterra, eliminou as pequenas propriedades familiares.

Esse novo homem que surgia nos tempos de Chesterton, o empresário agnóstico de tendências progressistas, influenciado pelo pensamento malthusiano, via o simples camponês, o trabalhador braçal, como uma espécie de bactéria. Algo sub-humano.

Já estava preparado o terreno para os ideais eugênicos que inspirariam o nazismo, mas também as políticas antinatalistas que vemos até hoje.

Como Chesterton notou, a modernidade emancipa o louco, mas persegue o homem comum. Como ele diz em artigo da coletânea O Essencial de Chesterton:

“Assim, pois, se começarmos com os séculos XVII e XVIII descobriremos que o homem se foi tornando mais e mais livre para fundar uma seita. Mas o Homem Comum não quer, em absoluto, fundar uma seita. É muito mais provável que queira fundar uma família, por exemplo”.

A partir daí Chesterton debateu implacavelmente com marxistas, céticos, relativistas, agnósticos, liberais, imperialistas, feministas e todas as demais ideologias que surgiram em sua época – e trazem consequências em nossa época.

Por isso consideramos tão importante um livro como O Essencial de Chesterton. Apresentar sua obra, que respondeu de forma tão certeira problemas que hoje têm dimensões gigantescas, é algo que se faz muito necessário. Apoie sua publicação e garanta já seu exemplar clicando aqui.

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