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Chesterton, eterno amigo do homem

Diego G. da Silva

Editor e colaborador do site Sociedade Chesterton Brasil

Publicado na Revista Católica In Guardia, ano I, n.º 3, dezembro de 2011

 

Nosso amigo Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) sempre surpreendeu seus adversários pela suas respostas paradoxais entrelaçadas de genial senso comum. Sua visão da realidade era aguçada a tal ponto que a comparação com Tomás de Aquino (1225, 1274) não poderia ficar apenas no porte físico. Chesterton tinha a alegria angelical de saber que se Deus criou todas as coisas, Ele, portanto, mandaria e controlaria tudo. Não o preocupava as teorias evolucionistas efervescentes em sua época, e que ainda hoje é dogma nas escolas. Sua descrença em relação ao evolucionismo se dava pelo simples fato dele saber que “se a evolução simplesmente significa que algo positivo chamado macaco transformou-se lentamente em algo positivo chamado de homem, então ela é inofensiva para o mais ortodoxo; pois um Deus pessoal poderia muito bem criar coisas de modo lento ou rápido, especialmente se, como no caso do Deus cristão, ele estivesse situado fora do tempo.”1

A fé estava indissociável da vida dele. Como de fato está em todos nós. Temos ou não temos fé. Mas sua ausência faz toda a diferença. A ausência de fé é uma característica marcante do homem moderno. Entorpecido e doutrinado pelo ceticismo, materialismo e hedonismo. Desde criança os homens têm perdido o sentido de suas vidas. O relativismo, característica que marca tanto o tempo de Chesterton quanto o nosso, tem escravizado os pensamentos impossibilitando-os de navegarem por mares que, apesar de tempestuosos, possuem um – somente um – porto seguro que é visível ao longe por sua Cruz e pelo estandarte de Nossa Senhora eternamente fixados que servem como farol aos navegantes.

Chesterton sempre retornava à analogia do navegante que no afã de descobrir novas terras voltava ao mesmo território. No desejo de descobrir novos e refrescantes ares retornava ao mesmo lar. Ou, ao caso do homem que cansado de sua casa, vida e família, decide procurar um local melhor para viver e, ao dar a volta ao mundo, descobre o seu antigo lar. “Todo lugar na terra é o começo ou o fim, segundo o coração do homem.”2 Chesterton utilizava dessas analogias para nos demonstrar que somos muitas vezes esses homens que saem em busca do lar quando muitas vezes estamos nele e nem nos damos conta. 

Essas analogias tão recorrentes nas obras de Chesterton expressam com clareza o percurso espiritual deste ‘grande’ homem. Sua vida foi marcada pelo sincero e apaixonado desejo pela verdade. No bonde (peço a licença para me expressar assim) dos anglo-católicos Chesterton não titubeou ao pedir parada em frente à Igreja Católica. Ele foi pelas trilhas deixadas pelo grande beato Newman que apesar de todas as críticas e perseguições largou tudo, inclusive um futuro (garantido) promissor no Anglicanismo. Que mistério é este que orienta a vida dos grandes homens? Se analisarmos bem, veremos que o desejo sincero pela Verdade e a Humildade são como a Porta e Fechadura para um novo lar.

“Chesterton é um verdadeiro homo religiosus. Suponho que inumeráveis de seus leitores não se importem com religião. Sei que a qualidade “literária” de suas obras não se mudou depois de sua conversão ao catolicismo. Que desde então o olhar que ele deita ao mundo se tornou ainda mais profundo, mais alegre e mais seguro, que o seu coração e seu espírito foram ungidos e acesos pelo mistério da graça que sacramentalmente penetrou em sua vida. Eis aí uma coisa que só o cristão “interior” percebe, e que percebem, sobretudo aqueles que pessoalmente são atingidos pelo fluido sobrenatural de renascimento, irradiado pelo Chesterton católico.”3

Os escritos de Chesterton são para nós hoje um remédio. São como um fôlego de racionalidade e bom senso que podemos nos servir para curar e proteger nossa razão dos tantos absurdos que vemos. “Nos seus livros pululam todas as coisas do mundo, mas em dança harmônica, no equilíbrio divino reconquistado, que só é possível em torno do centro místico da vida”.“4

Neste ano se encerram excelentes novidades que apareceram para os admiradores das obras de Chesterton. Pela primeira vez foi publicada a tradução de Hereges5; relembramos os 75 anos de falecimento de Chesterton6 e o centenário da obra Sabedoria do Padre Brown7, publicado em 1911. Comemoramos também o primeiro aniversário do site Chesterton Brasil8. São fatos que demonstram claramente que Chesterton é e será um eterno amigo daqueles que desejam a Verdade.


1 CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 58-59

2 Conto Homesick at home, do livro The Coloured Lands, Londres, 1938. Tradução de Francisco Barbosa de Rezende.

3 PFLEGER, Karl. Chesterton o aventureiro da Ortodoxia. Tradução de O. Durieux, O.F.M.. Rio de Janeiro: Stella editora, 1943. p. 25

4 Ibdem, (43)

5 Foi publicado pela primeira vez em português pela editora Ecclesiae. Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo e Márcia Xavier de Brito.

6 Confira a matéria ‘Iniciativa brasileira recorda os 75 anos do falecimento de Gibert Keith Chesterton’, publicado no site ChestertonBrasil.org

7 Leia o artigo ‘O Centenário da obra A Inocência do Padre’, autoria de Diego Guilherme da Silva, publicado no site ChestertonBrasil.org

 

[i][i]8 Site brasileiro dedicado a promover a divulgação da vida e obra de Gilbert Keith Chesterton. O site foi inaugurado em dezembro do 2010 e completa um ano de existência. Os saldos são muito animadores, a contar pelo número de visitas de aproximadamente 40 mil neste 1º ano.

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