Chesterton, feminista?

Chesterton, feminista?

Chesterton, em um primeiro momento, pode ser visto como um escritor conservador de direita. Defendeu a família, elogiou a tradição e fez as melhores defesas da Igreja Católica.  Quase ninguém entende suas ideias (e por isso estamos publicando um livro com seus ensaios essenciais). No mundo ideológico que vivemos, é fácil colar nele o adjetivo: machista.

Mas Chesterton está longe de ser machista. Ele talvez seja o antimachista. E olha que ele foi contrário ao voto feminino.

O fim da polêmica: Por que ele foi contra as sufragistas?

Em O que há de Errado com o Mundo ele responde. No início do capítulo “Feminismo ou o erro em relação à mulher” diz, superficialmente, ser contra o voto feminino porque a maioria das mulheres simplesmente não o queria.

Em um segundo momento, ele desenvolve ainda mais o argumento:

”Certa vez, disse a um feminista: ‘A questão não é saber se as mulheres são boas o bastante para votar; é saber se os votos são bons o bastante para as mulheres’.”

Para Chesterton, a vida política, assim como o mercado, são tristes necessidades. O homem, que ele defende ser um especialista, pode se dedicar inteiramente a um ofício profissional, bem como ao debate público. A mulher deveria ser livre disso, pois a mulher é versátil, não especialista. E Chesterton considerava isso precioso.

No mesmo capítulo, ele diz:

“O fogo não precisa luzir como a eletricidade ou ferver como a água; importa que ilumine mais do que a água e aqueça mais do que a luz. A esposa é como o fogo, ou, colocando as coisas em sua devida proporção, o fogo é como a esposa.

Como o fogo, é de esperar que a mulher cozinhe – não que se destaque na arte culinária, mas simplesmente que cozinhe, e cozinhe melhor que seu marido, enquanto ele lhe obtém o coque à custa de conferências sobre botânica ou quebrando pedras.

Como o fogo, espera-se que a mulher conte a filhos histórias – não histórias que primem pela originalidade ou sejam obras de arte, mas simplesmente histórias, histórias mais interessantes do que contaria um chefe de cozinha. Como o fogo, espera-se que a mulher ilumine e ventile – não com alarmantes revelações ou com os mais selvagens sopros do pensamento, mas que o faça melhor que um homem faria depois de quebrar pedras ou fazer preleções. O que não se pode esperar de uma mulher é que suporte algo como esse dever de cunho universal, quando tem igualmente de suportar a crueldade direta de um trabalho competitivo ou burocrático”.

Não é que Chesterton considerasse as mulheres indignas do voto. Antes, dizia que o voto não era digno das mulheres.

Esse ideal sobre a superioridade feminina foi vivido. Sua filha adotiva e secretária, Dorothy Collins, atesta que “ele possuía um respeito místico pelas mulheres. Cheguei a vê-lo levanta-se de sua cadeira quando uma garotinha entrava na sala”.

Em uma entrevista em 1907 a um jornalista do Daily News, Chesterton disse que “a aparência pessoal de um homem casado é simplesmente a criação artística da imaginação de sua esposa. Ela faz com que ele tenha precisamente a aparência que ela quer”.

Na mesma ocasião, Frances, sua esposa, estava presente, e, segundo conta Joseph Pearce em sua biografia Sabedoria e Inocência: a vida de G.K. Chesterton, ele teria dito a Frances:

“Minha querida, você infelizmente teve de moldar um monte de barro; outras esposas têm a vantagem de esculpir em mármore. O barro permanece barro e o mármore permanece mármore, mas em um e outro caso, a mulher é o artista. Você é a deusa que diz a estas ridículas mechas de cabelo: ‘Podereis crescer até aqui e não além’.”

O mesmo Joseph Pearce diz que, se Chesterton errou no trato com as mulheres, errou em idolatrá-las e idealizá-las.

No artigo “Shevolution”, a ser publicado em nossa coletânea O Essencial de Chesterton, ele diz que “mulheres são percebidas como relíquias de um passado sobrenatural”, e chega a defender que a humanidade, como um todo, é feminina. Nenhuma feminista foi tão longe.

Essas e outras peculiaridades do pensamento chestertoniano, suas brigas com o feminismo e seu profundo amor pelo feminino, você encontra em O Essencial de Chesterton. Garanta seu exemplar.

Deixe uma resposta

×
×

Carrinho