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Fatos da vida de Chesterton relatadas por sua primeira biógrafa

Fatos da vida de Chesterton relatadas por sua primeira biógrafa

Mary Josephine “Maisie” Ward (4 January 1889 – 28 January 1975)

Gilbert Keith Chesterton, Sheed & Ward, 1943.

1. Adolescente alto e delgado, acabara adquirindo tal pança, que, interrogado por uma senhora, por ocasião da Guerra Mundial, porque motivo não se encontrava no “front”, pudera responder: — “dê a volta à minha pessoa e a senhora verá que eu lá estou! ”

2. Quando envolto por ampla capa, brincando com bengala, senta suas trezentas libras num banco pelo caminho, para sonhar, as pessoas que passavam “ou me tomavam por um aldeão idiota ou por um dos caminhos de Harrod.”

3. “Gostava de acreditar que sua vida era Centrica, ainda que parecesse a muitos incrivelmente excêntrica. Seria muito capaz de tomar banho, sair dele e depois entrar novamente n’água, gritando zangado: –“É mesmo, eu já havia estado aqui! ”

4. Poderia também deixar cair uma liga ao chão, abaixar-se para apanhá-la, encontrar um livro em vez da liga e sentar-se no chão para lê-lo. Poderia ser visto, à luz de cintilante sol, de guarda-chuva aberto: sua esposa pusera o guarda-chuva em uso por ocasião do mau tempo e o marido não vira motivo para deixar de usá-lo.

5. A “garçonete” que lhe trouxe dois ovos escaldados viu-os desaparecerem no bolso do homem, quando ele deu um soco na mesa, para ter a última palavra na discussão: os ovos ali permaneceram desapercebidos, mesmo quando G. K. interrompeu o debate para gritar: “Garçonete, traga-me, por favor, mais dois ovos escaldados” Parece que eu perdi os outros! ”

6. Visitas a “casas importantes”, onde um camareiro desarrumaria sua bagagem, punham Chesterton pouco à vontade. Tanto ele quanto o camareiro poderiam ter grandes supressas com o que apareceria em suas malas e em seus bolsos: certa vez, a rolha de uma garrafa e uma pisto; outra, várias pontas de lápis, um jornal especializado em histórias de crime, alguns pedaços de giz de cor e um ou dois cigarros.

7. Ninguém conseguiria prever de que assunto trataria ele em conferências: o público holandês, que acorrera para ouvi-lo falar sobre Dickens, retirara-se muito bem informado sobre Browning.

8. Quando notava suas próprias extravagâncias, Chesterton gostava de embelezá-las com o fulgor de seu espírito. Certo homem que o viu caçando o chapéu através do tráfego, aproximou-se, apanhou o chapéu e devolveu-o a Chesterton, que, imediatamente, afirmou que o objeto, em absoluto, não deveria ter sido salvo. –“Então por que o senhor corria atrás dele? ”—“É um velho amigo”, explicou G. K., “eu gostaria de estar com ele até o fim”.

9. Era, por exemplo, uma agonia para ele saltar da cama para a Missa. E não falava levianamente ao resmungar: “Só mesmo a religião poderia levar-me a tal passo”.

10. Alguns de seus amigos não podiam acreditar na sinceridade de suas idiossincrasias. Um deles disse a Maisie Ward: — “Sempre o julguei o artista a representar um papel”. Quando G. K. se converteu ao catolicismo, até Bernard Shaw protestou: — “Isto passa dos limites!”
Por outro lado, seus mais extravagantes admiradores o tinham pura e simplesmente como um santo – um homem “que pensa pelo Espírito-Santo”.

Disponível originalmente na revista A Ordem, junho (1952)

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